sexta-feira, 14 de maio de 2010

A copa do mundo para o jornalismo

A convocação da Seleção Brasileira para a Copa é dos momentos mais democráticos que tomam forma no país: ainda que o cidadão não possa decidir nada, ele tem ao menos o direito de opinar, e costuma fazer isso com seu próprio conceito de futebol. Pois o técnico da Seleção Brasileira convocou os 23 – mais os “reservas”, 30 – jogadores que irão defender o país na próxima Copa do Mundo, na África do Sul. E a imprensa detestou. Isso porque alguns jogadores considerados essenciais para a seleção ficaram de fora, como Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso e Neymar. Então, perde-se parte da empolgação com as novas (ou nem tão novas) sensações, perde-se parte do encanto, e perde-se também parte da audiência que todas as grandes empresas de comunicação já prepararam para a primeira Copa em continente africano, e última antes do Mundial do Brasil. Então usou-se – como costuma ser feito em todos os outros setores sociais – a manipulação da opinião pública para criticar as escolhas do técnico Dunga. Foi dito que a população não gostou da convocação, que o povo queria os meninos da Vila e Ronaldinho no elenco, foi dito um monte de coisas. Mas de onde isso tudo foi tirado? De lugar nenhum. A opinião pública foi usada e manipulada para se fazer pressão sobre o técnico da Seleção Brasileira no sentido de levar à Copa alguns jogadores que certamente dariam mais audiência, pelo tipo de futebol que jogam. Foram ignoradas pela maioria as questões táticas e as análises realmente claras do que a Seleção e seus jogadores têm feito desde que Dunga assumiu. Sumariamente ignoradas, com exceção à tal “coerência de Dunga”. Até Arnaldo Jabor opinou no Jornal da Globo, criticando o técnico exatamente por seguir o que acredita. Pois a Folha de S. Paulo foi exceção, e nesta quarta-feira mostrou o oposto do que toda a grande imprensa brasileira procurou defender: a população gostou da convocação de Dunga. Foi o que disse a Datafolha, e realmente não me ocorre nenhum motivo pelo qual essa pesquisa poderia ser manipulada. A Folha foi a única que noticiou a aprovação do povo brasileiro em relação ao que ele mais se interessa: sua seleção de futebol para disputar a Copa. Sem o sensacionalismo e a busca louca por audiência que pauta boa parte do jornalismo esportivo televisivo brasileiro e sem o regionalismo que costuma delinear as matérias de jornais impressos e de rádios pelo Brasil – muitas consideravelmente influenciadas pelo eixo Rio-SP –, a Folha foi na contramão e, junto com as pesquisas de opinião, mostrou uma realidade bem diferente à que a maioria da imprensa tem buscado impor à uma opinião pública que talvez nem seja realmente existente – JORNALISMO B

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