Por que as pessoas assistem Big Brother? Qual o interesse em observar o passo a passo de vidas supostamente reais de pessoas desconhecidas? Não, leitor, nem o endereço do blog está errado nem eu considero Big Brother jornalismo. Mas é impossível não comparar: a motivação para assistir ao reality show promovido pela Globo e ao julgamento do casal Nardoni é a mesma.
O que é difícil de entender é a motivação da imprensa. Ou melhor, difícil não é exatamente a palavra. Seria, se a mídia nativa fosse habitualmente focada no interesse público, se dedicasse a fazer jornalismo cumprindo sua função social e não apenas se pautando pela audiência e pelo retorno financeiro.
O BBB é fácil de explicar: é entretenimento e, como tal, foi feito para divertir. Ainda que possa haver entretenimento de qualidade, há os que não o são, e não me cabe aqui julgar esse quesito. De qualquer forma, fazer um programa de entretenimento para obter lucro com ele não é tão grave quanto pautar um noticiário por interesses financeiros. O objetivo primeiro de quem edita os jornais, sabe-se, é satisfazer o público em seus interesses imediatos, não necessariamente levando a informação mais significativa. É garantir a audiência. E a necessidade de garantir a audiência é, em última instância, a vontade de aumentar o número de patrocinadores. O dinheiro.Nada além disso pode explicar o circo armado essa semana. Pela segunda vez, fomos obrigados a conviver com a novela diária do caso Isabella. Não que denunciar um crime não seja importante, e esse especificamente poderia servir como uma reflexão sobre o comportamento, os valores em tempos pós-modernos. Não só não serviu para isso, como foi estendido muito além do necessário. Por morbidez, fofoca, uma suposta indignação geralmente hipócrita, não sei. Mas definitivamente, sem a reflexão que poderia ter surgido do caso, ele é inútil para a coletividade.
Todas as emissoras de TV fizeram dele sua principal programação na semana do julgamento, a que passou. Ainda repercutem em seus noticiários. Os principais jornais dedicaram manchete de capa para o caso em mais de uma edição, inclusive atrasando o fechamento do jornal para publicar o resultado do julgamento.
Resta a nós o exercício da crítica. Questionar o que a imprensa considera jornalismo, qual a função da profissão, qual o objetivo por trás do nosso trabalho. A que interesses devemos atender. Os de mercado? Os de entretenimento? Porque o palco armado não era real. O julgamento dos Nardoni virou um verdadeiro reality show, em que realidade e ficção se imiscuíram em um verdadeiro show. O meu jornalismo, o que aprendi em poucas, mas ainda existentes, cadeiras da faculdade, com bons professores, tem como interesse principal a cidadania. A valorização do cidadão enquanto tal. O fortalecimento da democracia através da difusão de informação de qualidade. Infelizmente, não vi esse tipo de coisa essa semana.
Fonte: jornalismo B
Fonte: jornalismo B



2 comentários:
Realmente não dá para saber o que é jornalismo hoje em
dia,infelizmente muitas emissoras atendem somente ao interesse financeiro e não ao que realmente o público gostaria de saber, ou o que seria bom para o público , essa é a questão
Muito interessante e criativa a ligação que fizeste entre o "grande show" que é o BBB com o caso Nardoni. Mas por que será que ambos os casos chamam tanta atenção da população...?
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